Ensinamento 06: Experimentando A Mandala

07/02/2010 15:55

Uma Mandala é uma representação simbólica do Universo ou de uma parte Dele.

A Mandala deve também ser vista como completa em si só para cada parte que está holográfica e expressa o todo. Desde os tempos antigos tem sido reconhecido que palavras sozinhas não são capazes de descrever completamente uma essência vibracional de uma divindade em particular. Genericamente uma Mandala é uma pintura que descreve o universos, ou uma parte dele, mas pode também ser um conjunto de estátuas (como em Toji), um tempo complexo (como Koyasan ou Borabadur, em Java) ou qualquer representação tridimensional.

No Budismo Shingon tradicionalmente há duas Mandalas que foram trazidas da China para o Japão por Kobo Daishi. Elas representam as duas linhagens que combinadas formam Shingon. Na Índia, Mandala significa um círculo perfeito. Na tradição indiana um altar circular foi formado para tornar-se o local para invocar o espírito da entidade ou entidades durante cerimônias ritualísticas.

 
Explicando Mandalas, Kobo Daishi distinguiu quatro tipos:
 

1. A Mandala Maha

Em sânscrito, Mandala Maha significa a Grande Mandala. A Grande Mandala expressa o universo inteiro no qual, em uma visão mais expandida, os seres humanos e todos os seres viventes mantém harmonia e interdependência entre si. Ela inclui todas as outras Mandalas.

2. A Mandala Samaya

Samaya é a palavra em sânscrito que significa votos (promessas). Os budas e bodhisattvas expressam seus respectivos votos através  de suas mãos formando muras, ou segurando flores de lótus, espadas ou outros objetos. Os mudras e objetos mantidos capturam e expressam a essência que está contida em seus votos.

3. A Mandala Dharma

Dharma, em sânscrito, significa ensinamento ou transmissão. Os métodos para transmitir a mente de Buda para outras pessoas são os sutras, palavras em sânscrito, e os nomes dos budas. A essência do ensinamento está contido no bîja ou mantras base. Genericamente falando, se refere a linguagem, palavras e textos escritos.

4. A Mandala Karma

Karma,em sânscrito, significa ação, e esta Mandala se refere a ações de Buda para ensinar e salvar as pessoas. Em um contexto mais abrangente, se refere às ações e funções de tudo no universo, incluindo as atividades das pessoas.

Estas quatro Mandalas retratam o universo inteiro da força vital de Buda, mas desde que não podemos entendê-las facilmente, a teoria destas quatro Mandalas tem sido desenhada como figuras iconográficas dos budas em duas Mandalas, a Mandala Vajradhatu e a Mandala Garbhakosa, que Kobo Daishi recebeu de seu mestre Hui-kuo. O termo Mandala usualmente se refere a estas duas.

 
 
 
 Figura 1. Mandala Vajradhatu  Figura 2. Mandala Garbhakosa
 

Nas paredes principais dos templos Shingon, pergaminhos destas Mandalas são consagrados. Em uma de suas faces, a Mandala da esquerda é a Mandala Vajradhatu e a da direita é a Mandala Garbhakosa. Ambas contém todos os budas meditados no Budismo Shingon, e em um senso real as Mandalas podem ser descritas como os objetos principais de adoração no Budismo Shingon. Na Mandala Vajradhatu há 1.461 divindades, e na Mandala Grabhakosa há 414 (existem diferenças dependendo das tradições). A Mandala Vajradhatu está dividida em nove sessões e é portanto chamada também como a Mandala dos Nove Grupos, enquanto a Mandala Garbhakosa está dividida e organizada em doze grupos e é também conhecida como as Doze Divisões da Garbhakosa. Todos estes budas trabalham para a salvação deste mundo.

A Mandala Vajradhatu representa o mundo que os budas explicaram no Sutra do Pico Vajra, enquanto que a Mandala Garbhakosa expressa a verdade dos budas descritas na Sutra Mahavairocana (Sutra do Grande Sol). Ambas Mandalas representam o aspecto verdadeiro e a vida do universo explicado pelo Budismo Shingon.

Em primeira impressão, uma Mandala pode parecer desorganizada, porém se olharmos cuidadosamente e pensar sobre ela, podemos ver que move-se através de uma ordem e harmonia mantidas. Esta ordem é retratada na Mandala através das formas dos vários budas que oram e fazem ofertas ao Buda Mahavairocana, a divindade mais importante localizada ao centro. Este é um esquema do mundo de Buda, que é chamado Mitsugon Bukkoku, a Terra Maravilhosamente Explêndida de Buda.

A Mandala Vajradhatu expressa a sabedoria persistente que existe em todoo universo, e pode portanto ser mencionada como as atividades do lado masculino da vida. A Mandala Garbhakosa é também conhecida por outro nome, a Mandala da Grande Compaixão, e manifesta a mente de abundante compaixão de Buda que continuamente existe no universo. A mente de compaixão do Buda Mahavairocana é manifestada na Mandala Garbhakosa e eles se manifestam como Avalokitesvara (Kannon) Bodhisattva, Ksitigarbha (Jizo) Bodhisattva, Acala Vidyaraja(Fudo Myoo), o Grande Santo Celestial da Alegria (Sho Ten), Vaisravana (Bishamonten), Sarasvati (Ben Ten) e Mahakala (Daikoku Ten), que são todas as divindades com quem nós somos intimamente conectados uma vez que agraciam-nos com compaixão e alegria. A corrente central que flui através da vida é a mente cuidadosa que dá a luz a a muitas coisas e as nutre, e que podemos dizer que estas atividades são  o lado marternal da vida. As Mandalas representam, antes de tudo, harmonia e ordem; em segundo, oferendasa e um ponto de foco; e em terceiro, sabedoria e compaixão. Elas nos ensinam como o mundo de Buda é criado neste mundo em que vivemos.
 

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